ZERO ABSOLUTO
Serei multidão de sonhos,
Ou multidão de palavras?
Do verso sou o reverso,
De alguma moeda maldita?
Do côncavo serei convexo,
Reflexo em algum espelho;
Serei complexo de culpa,
Depois do amor profano?
No fundo do poço a luz,
Brilhando em lugar algum,
Enigma da esfinge,
No fundo do copo seco?
Sou no fruto do pecado,
O bichinho da maça;
Serei eu na primavera
Um casulo a se abrir?
Talvez seja em teu espaço,
Este zero absoluto;
Penetrando em teu futuro,
Igual cometas em júpiter
*J.L.BORGES
1994
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