sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

TU ÉS MINHA SOLIDÃO

TU ÉS MINHA SOLUDÃO

Esta solidão me apavora,

A tua falta me deixa triste;

Nada resiste a esta dor que insiste,

Que teima e que me devora.

Só resta este tédio na minha vida,

Perdi tudo num impensado momento;

Solto ao vento meu triste pensamento,

Voltado para ti minha querida.

É tanta dor que sinto no peito,

A vida passa, mas não passa aminha dor;

Sinto falta do teu corpo, teu calor,

Teu sabor que me deixava satisfeito.

Esta casa é sufocante, tão vazia,

Tenho vontade de fugir, jamais voltar;

Eu chorei tanto e mais irei chorar,

Pois tu levou contigo a minha alegria.

Eu vou parar de alimentar a solidão,

Ser eu mesmo e procurar um outro alguém;

Me sinto agora um pobre homem, João ninguém,

A minha herança é a tua ausência, é o teu não.

*J.L.BORGES.1991

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