O AMIGO E O CÃO
Mãos que afagam sonhos,
E que sem cobrar afagam-te;
O olhar do amigo são os olhos do cão,
Que lambe teus pés e lambe tuas mãos.
A sereia dos sonhos inspira canções,
Sem violão e sem flauta de pan;
Trazendo a lembrança do amigo e do cão,
Naquele que vê a alma da gente.
Neste dia de luz só as trevas conseguem,
No vácuo imenso uma ponta de luz;
Se sou o incerto tu és esta cruz,
Carregando a primavera nalgum sonho perdido
Serei o amigo ou um cão vagabundo?
Um vilão vagabundo na face da terra.
Sem verão ou inverno represando esta fera,
Te levando comigo esquecido amigo.
Mãos que afagam no rosto o desgosto de alguém,
Que me leva o presente e te traz o futuro;
O escuro de uma vida que se vai e que vem,
Me trazendo o gosto que tanto procuro.
*J.L.BORGES
Nenhum comentário:
Postar um comentário