O AGRICULTOR
Deixo a semente da eternidade,
Plantada em ti a esperar;
Fico regando... fico rezando,
Fico torcendo pra germinar.
Nesta colheita de faustos frutos,
Não sou sozinho, pois somos dois;
Espero a chuva este bom tempo,
Preparo o fruto do amor depois.
Nesta lavoura eu não sou foice,
Sou na colheita o agricultor;
Eu aro a terra e a preparo,
E colho o fruto do nosso amor.
Depois da ceifa aramos a terra,
E adubamos para plantar,
Outra semente do fruto eterno,
Que nunca cansa de germinar.
Tua lavoura sempre fecunda,
De meus momentos és a fortaleza;
Cristalizada na longa historia,
De um grande amor, nossa riqueza.
*J.L.BORGES
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