quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

NADA

NADA

Se ontem fui avenida,

Hoje sou uma viela;

Nesta vida adormecida,

Vida frágil, vida bela.

Se ontem fui bairro honorável,

Hoje sou uma favela;

Sou desta vida incansável,

O cupim numa janela.

Já fui lâmpada fluorescente,

Hoje apenas sou lampião;

Nesta vida indecente,

Do mendigo nem sou pão.

Já fui sol brilhando céus,

Nestas noivas madrugadas;

Hoje sou roto chapéu,

Quase nada...nada...nada...

*J.L.BORGES

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