MOMENTOS
As vezes a escuridão brilha,
Mais forte que a luz do saber;
São fragmentos de estéreis ilhas,
No continente estático de viver.
A vida logrando a morte,
No palco e fundo de pano;
Mãos clamando por mais sorte,
Nesta sociedade do poder profano.
No escuro do pensamento,
O silencio vazio é apenas teorema;
E as magoas do andejar sofrimento,
São tatuagens de um solitário poema.
O silencio retumba forte,
Na tumba de sonhos andantes;
Parecendo o vento norte,
Cadenciado em tristes prantos.
Tudo na vida é momento,
O silencio da solidão;
Chuvas neste pensamento,
Magoas deste coração
Nada fica, tudo passa,
Sobram só ecos de um grito;
Retumbando em valhas praças,
Sonhos frágeis e finitos.
E nós, pobres passageiros,
Não passamos de momentos;
A vida segue ligeira,
Pois somos apenas momento.
*J.L.BORGES...1991
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