MEU LABIRINTO PARTICULAR
Existe um vácuo em minha existência,,
Eterno e nefasto, ingrato e imenso;
Labirintos profanos em minha consciência,
Não sei o que sonho, nem mesmo o que penso.
Somente o que espero em minha jornada,
E a paz retalhada que as vezes procuro;
Se quero ter luz eu busco o escuro,
O futuro veloz da azul madrugada.
No canto do encanto eu busco em campo,
E ganho florestas de feras acuadas;
Se tento compor meus versos em pranto,
Recebo no entanto apenas o nada.
Nos meus de repentes acordo enfim,
Percebo ser frágil minhas agonias;
Caio, levanto: assim levo meus dias,
Buscando o retorno bem longe do fim.
Avisto ao longe nos meus labirintos,
A luz argentina acenando pra mim;
Me transformo em âmbar, não mais absinto,
Adornos de sonhos alem do jardim.
*J.L.BORGES
1994
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