LUAR DOS MALDITOS
Ela surge mansamente no espaço,
Ela ruge mansamente em meus braços;
Ela surge, eu não sei mais o que faço,
Ela ruge na ventura de seus passos.
Cascaveis rastejando no caminho,
São serpentes habitando meu espaço;
Multidões a rugir e eu sozinho,
Me afastando mais e mais dos meus abraços.
Eu sou louco pois acreditei nela,
Vou morrer neste falso juramento;
Fecho a porta, esta luz, tua janela,
Ouço vozes, estes passos, meu tormento.
Toda a luz que eu tinha foi embora,
Em seu lugar veio uma luz a denegrir;
Por quem choras meu amor, por quem choras?
Se a saudade só agora ira sentir.
Luz maldita, luz serpente a incendiar,
Este mundo, este mundo antes meu;
Sou imundo se acredito no jurar,
Que jurastes, ser descrente, ser ateu.
*J.L.BORGES...1990
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