FRATURAS
São cacos de sois rachando,
Dentro de teu coração;
Fragrantes de uma canção
De alguém na estrada assoviando.
Parecem pássaros feridos,
Caídos sobre as montanhas;
Na fuga de algo estranho,
Naquele mundo esquecido.
Onde o nada leva ao nada,
E trazem nada na vida;
Abrindo mais a ferida,
No final desta jornada.
Esta dor sempre começa,
A aos poucos nos invade,
Iguais arpões que em mim arde
Sempre no final da festa
*J.L.BORGES
1994
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