PRIMEIRO DE MAIO
Braços cansados trabalhando por nada,
Deixando a semente na terra cansada;
Joelhos que dobram buscando o chão,
O fruto e o suor na busca do pão.
Mãos calejadas buscando a enxada,
Ferindo a terra e plantando este nada;
Bocas famintas e mentes vazias,
Implorando futuros nesta vida vadia.
Sorrisos forçados e apertos de mãos,
Heróis naufragados num mar sem irmãos;
Prisioneiros de maiôs em tantos primeiros,
Um tempo de guerra na paz verdadeira.
O homem iludido arranhando esta terra,
Semeando a semente sem ter primavera;
Somente a esperança ronda lá fora,
No fio de uma lagrima do homem que chora.
Deixando a certeza que a luta existe,
Na paz da criança que a tudo assiste;
Futuro teimoso na palma da mão,
Deixando de presente a labuta Brasil.
*J.L.BORGES
1993
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