TRISTEZA
Cinzas do passado soltas ao pó,
Abrem sulcos profundos;
E nos cria na alma um nó,
Que das recordações é oriundo.
E no entanto queremos vê-lo sempre,
Bem perto dos olhos, e nos castigamos,
Com indiferença o tempo se faz repente,
Preso na tristeza em que nos encontramos.
E a vida passa devagar,
Sem olhar para estes rostos tristes;
Que fingem viver uma vida só a cantar,
E esquecer que a tristeza existe.
Sem ilusões nenhuma, vamos em frente,
Porque obcecados não olhamos ao lado;
Porque recordar nos faz sempre,
Chorar as tristezas do passado.
*J.L.BORGES
P.Alegre.1984
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