SAUDADE
A saudade é um gemido profundo de um sino,
Num povoado pequeno e distante;
Num lugar bem distante e qualquer lugar,
Que de tão longe só podemos visualizá-lo,
No fundo de nossa imaginação.
Não chega nem mesmo a ser um sino,
A badalar teimosamente sem parar;
Na realidade é apenas um eco,
A tilintintar em meu coração,
Se perdendo infinitamente no fundo da alma.
É um pássaro voando entre montes,
E confundindo-se no horizonte de meus olhos,
O ruflar de suas asas não é um som audível,
Não percebo seu vulto e nem sua cor,
Pois a saudade é um pássaro invisível.
É a vibração dos últimos ruídos,
Que entoam uma serenata à madrugada,
Um ruído que o tempo consumirá,
Junto com a passagem milenar,
Da imponente cordilheira de meu espírito.
Por mais que aguço os olhos,
Não consigo enxergar estes motivos,
Que me deixam um pouco triste e distante,
Quando penso naquela que está longe,
E que talvez nem em mim esteja pensando.
*J.L.BORGES
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