PRIMAVERA EM CAMAQUÃ
Fui feito prisioneiro,
Desta primavera traiçoeira;
Que veio num momento derradeiro,
Com seu queijo e sua ratoeira.
Nada de importante aconteceu,
Ao lado dela aqui;
Esta saudade ainda não morreu,
Ando louco de amor por ti.
Queria ficar ateu lado agora,
Mas a primavera me matem recluso;
Minha alma livre implora,
Quer sair daqui, mas recuso.
Pois sou prisioneiro desta primavera,
Que me seduziu com flores;
Colhidas nesta feiticeira terra,
Encantada com perfumes e primores.
Jovem primavera de Camaquã,
Que ficou por aqui e não desaparece;
Tão diferente daquela outra irmã,
Que deixava eu ir a onde bem quisesse.
*J.L.BORGES
Camaquã.1984
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