NOITE DE SÃO JOÃO
Numa noite de São João,
Eu sai a beber quentão,
Era grande o pileque,
Parecia um moleque,
Sem camisa e de pé no chão.
Era noite de São João,
Eu sozinho com a ilusão,
Namorava uma bela,
Que da sua janela,
Abanava pro meu irmão.
Nesta noite de São João,
Eu fiquei com a solidão;
Pois aquela menina,
No cantinho da esquina,
Se abraçava com meu irmão.
Certa noite de São João,
Eu peguei o meu alazão,
E perdendo o encanto,
Galopei pelo canto,
Cambaleando no coração.
Vem minha noite de São João,
Me tirar desta escuridão,
Fazer lembrar a fogueira,
Desta vida faceira,
Com cachaça e com violão.
*J.L.BORGES
Camaquã.1984
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