sábado, 4 de novembro de 2017

NADA PRA FAZER


NADA PRA FAZER

O cata-vento,
Finge que dança;
Que encanta e enfeitiça,
O vento.

A rosa dos ventos,
Faz de conta que é real;
É o ponto cardeal,
Da morada do tempo.

O girassol,
Entristeceu o jardim;
Pois enganou a rosa,
E brigou com o jasmim.

O rouxinol,
Finge que canta;
Que declama e toca,
Para o sol.

O puxa-puxa,
Melou o moleque;
E deu um pileque,
Na mosca maluca.

Sem ter nada pra fazer,
O guarda sol;
Namorou a sombrinha,
Que da bengala é sobrinha.

A bola sete,
Se estranhou com o taco;
Fez na mesa um buraco,
Recheou com confete.

Dei um tempo pra noite,
Não deixei pra depois;
Tomei toda a cachaça,
Que era só pra nos dois.

*J.L.BORGES
Camaquã.1984

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