NADA PRA FAZER
O cata-vento,
Finge que dança;
Que encanta e enfeitiça,
O vento.
A rosa dos ventos,
Faz de conta que é real;
É o ponto cardeal,
Da morada do tempo.
O girassol,
Entristeceu o jardim;
Pois enganou a rosa,
E brigou com o jasmim.
O rouxinol,
Finge que canta;
Que declama e toca,
Para o sol.
O puxa-puxa,
Melou o moleque;
E deu um pileque,
Na mosca maluca.
Sem ter nada pra fazer,
O guarda sol;
Namorou a sombrinha,
Que da bengala é sobrinha.
A bola sete,
Se estranhou com o taco;
Fez na mesa um buraco,
Recheou com confete.
Dei um tempo pra noite,
Não deixei pra depois;
Tomei toda a cachaça,
Que era só pra nos dois.
*J.L.BORGES
Camaquã.1984
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