FILHO DO SILENCIO
Derepente surge mais um adolescente,
Maculado, viciado, drogado,
Talvez inocente,
Sem culpa talvez;
E o sonho já morto,
Revive outra vez.
Em ser dependente,
Adulta criança,
Seu mundo é descrente,
Não resta esperança;
Se fecha aos poucos,
E a magoa balança.
Ladrão de si mesmo,
Num mundo tão louco,
Já não tem liberdade,
E vive em troca,
De dor e ansiedade,
Sua vida é um sufoco.
Na cadeira dos réus,
O filho maculado,
Da mãe prostituta,
Do pai ignorado;
Traz sonhos drogados,
De uma triste labuta.
Na cadeira dos réus,
Uma vida cansada,
Viciado e drogado,
Um ser dependente;
É mais um ladrão,
Fichado e fechado.
*J.L.BORGES
Camaquã.1984
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