DENTE POR DENTE
Não tive colher de chá,
Porisso não dou colher;
Qual é a tua xará?
Te fraga e cai se quiser.
Deixa de ser malandro,
E abraça esta comigo;
Senão, derepente eu me mando,
E deixo de ser teu amigo.
Tu deves saber que camarada,
É aquele que chora contigo
Aquele que ri, que nada,
Muitas vezes é falso amigo.
Amigo de fé está sempre disponível,
Quando se necessita, estou certo?
Falsa amizade é perecível,
E logo vira deserto.
A traição deve ser vingada,
Pois é a punhalada que mais se sente;
Siga os preceitos desta vida amada,
Olho por olho, dente por dente.
*J.L.BORGES
Camaquã.1984
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