A SOLIDÃO
No encanto do desencanto,
Num canto do coração;
Com o olhar triste de espanto,
Suspira a solidão.
No canto de um velho canto,
Uma melodia antiga sai;
E a solidão no seu pranto,
Finge que vai, mas não vai.
Solidão um mal passageiro,
Escondida a nossa volta;
Canhões retumbam ligeiro,
Primeiro batendo a porta.
E na porta entreaberta,
Ela vem sem dar adeus;
Ficando a alma inquieta,
Mais deserta do que eu.
*J.LBORGES
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