UM AMOR QUE SE ACABA
É noite Geórgia,
Há um imenso silencio;
Nesta sala a pairar,
Neste coração que sangra por você.
A sinfonia de Betthoven,
Estou ouvindo agora;
Allegreto, allegreto!
Meu peito chora.
Esta sinfonia me inspira a melodia,
De uma poesia cheia de alegria;
E agora, neste hirto momento,
Lembro-me daquele dia.
Parece que foi ontem amor,
No parque te encontrei;
Tudo iniciou...
Ternamente te amei.
E agora eu percebo, doce amor,
Sei que agora tudo terminou;
Findou num rápido adeus,
Só a saudade que resta.
Não penses que tenho alguém,
Pois você deve saber que estou sozinho;
Como uma triste cotovia,
A procura de um ninho.
Estou procurando novamente erguer,
Este castelo de areia;
Que tombou ao amanhecer,
Com a maré e a lua cheia.
Eu o quero reerguer bem sólido,
Para nunca mais cair
Sabes amor, tudo terminou,
Mas eu não quero chorar, somente sorrir.
Compreendas por favor,
Pois tem que ser assim;
Não chores meu amor,
Ainda existe uma luz lá no jardim.
Eu sei amor que errei,
O culpado somente sou eu;
Errei por estar enganado,
Por não olhar os olhos seus.
Errei por não pensar no nosso amor,
Não pensei em mim, em ninguém;
Hoje estou a lamentar,
Estes erros meu bem.
Não pensei em você,
Neste seu amor amigo;
Confesso que muito chorei,
Pois amor, eu fiquei ferido.
Eu preciso parar um pouco,
Somente para pensar;
Senão eu ficarei louco,
E não quero te magoar.
Suas lagrimas não mereço,
Muito menos seu terno olhar;
Amor, eu muito padeço,
Mas não posso mais te amar.
Eu sinto muito amor,
Mas assim tinha que ser;
O nosso amor está morrendo,
Mas um novo irá nascer.
Nada agora eu te explico,
Mas um dia você compreenderá;
Depois quando entenderes amor,
Nada mais lamentarás.
Por favor não me acuses,
Mas também não me defendas;
Só quero que você,
Este meu erro compreenda.
A vida é assim,
Um pouco de felicidade;
Muita dor, muita tristeza,
E também muita saudade.
Tudo terminou,
Estou tão triste;
Só a dor restou,
Esta dor que ainda existe.
Tudo terminou,
Foi cruel este destino;
E agora me pergunto,
Serei herói ou cretino?
Estou triste como pátio de edifício,
Num domingo a tarde;
Meu coração hoje magoado,
Dentro deste peito arde.
Por isso quero terminar,
Nosso amor não tem mais sentido;
Eu só quero o seu perdão,
Eu quero ser seu amigo.
Vamos caminhar em frente,
Vamos, mostre seu sorriso;
É longa a caminhada,
É eterno o paraíso.
Não quero ver duas lagrimas,
Correr nos olhos teus;
Não quero amor, não quero,
Adeus amor, adeus.
*J.L.BORGES
Camaquã.1980
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