GATA EM TELHADO DE ZINCO
Sou feliz, pois a primavera,
Da esperança chegou agora;
Minha gata trigueira,
Que meus beijos implora.
Meu Deus, quem dera,
Ela ser o amor que almejo;
A minha gata faceira,
Que em sonhos eu vejo.
Pudera amor, pudera,
Beijar teu sorriso que chora;
Minha rebelde e terna paisagem,
Do ocaso e da aurora.
Quisera amor, quisera,
Te amar com mais afinco;
Minha gata selvagem,
Em telhado de zinco.
*J.L.BORGES
Camaquã.1980
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