quinta-feira, 12 de outubro de 2017

DIALOGO DE UM JOVEM DO INTERIOR

DIÁLOGO DE UM JOVEM DO INTERIOR

Na tua rua tem lama,
Na minha rua não tem;
Na tua rua vives só,
Na minha eu também.

O vento ai beija teu corpo,
Aqui ele corta a alma;
Ai o silencio é quieto,
Aqui não se possui nem calma.

Tu falas que ai,
O frio esta a gelar;
Aqui o frio é pior,
Pois congela a ânsia de amar.

Os monstros de quatro pés,
Imperam na minha rua;
Aqui a morte é veloz,
E na tua?

Tu falas que o sol é poético,
Parecido com o luar;
Aqui o sol é anêmico,
Sem vontade de brilhar.

 *J.L.BORGES
Camaquã.1979

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