DIÁLOGO DE UM JOVEM DO INTERIOR
Na tua rua tem lama,
Na minha rua não tem;
Na tua rua vives só,
Na minha eu também.
O vento ai beija teu corpo,
Aqui ele corta a alma;
Ai o silencio é quieto,
Aqui não se possui nem calma.
Tu falas que ai,
O frio esta a gelar;
Aqui o frio é pior,
Pois congela a ânsia de amar.
Os monstros de quatro pés,
Imperam na minha rua;
Aqui a morte é veloz,
E na tua?
Tu falas que o sol é poético,
Parecido com o luar;
Aqui o sol é anêmico,
Sem vontade de brilhar.
*J.L.BORGES
Camaquã.1979
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