CRISTAL NA ALVORADA
Estou tonto de prazer,
Procurando encontrar a chuva;
A chuva que cai suave,
Neste etereo amanhecer.
Percebo algo que foge,
Entre a terra e o rio;
Será um fantasma medroso?
Não, é o rio milenar.
Então eu tento saudar,
Este rio misterioso e voluptuoso;
A chuva passou,
O sol está nascendo.
Parece ouro,
Esta manhã dourada;
Parece orquestra sinfônica,
Estes pássaros que encantam.
Vejo-me confuso,
Entre o rio e a terra;
Perco-me a sonhar,
A realidade fugiu.
Águas cristalinas do meu cristal,
O céu com brilho intenso;
Minha alma está azul,
Como cristais na alvorada.
*J.L.BORGES
Cristal.1978
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