RASTRO DE SANGUE
No mato o jaguar astuto,
O touro ele quer caçar;
Prepara sorrateiro o bote,
No touro ele vai pular.
Com incrível agilidade,
No touro o jaguar pulou;
Com pouca rapidez o touro,
Para o lado então saltou.
Desesperado debate-se o touro,
Tentando recuar dá um salto;
Mas o jaguar é ágil,
Também sabe pular alto.
O touro parte em disparada,
Sobre ele o jaguar agachado;
O touro solta gritos horríveis,
Pois sua pele está sendo rasgada.
Voam por entre árvores e campos,
O touro sempre a berrar;
Seus olhos inflamados,
Da órbita querem saltar.
Ele berra, espuma, arqueja!
Sua língua está pendente;
Garras e dentes cravam,
Na sua carne quente.
Fino rastilho rubro,
Molha e mancha a areia;
O sangue escorre forte,
De sua dilacerada veia.
Geme e contrai-se a forte vitima,
Lutando com incrível braveza.
Porem o jaguar impávido,
Não vai largar sua presa.
Corem velozes pelo mato,
Que cena cruel e triste;
O silencio na selva escura,
Há muito que não existe.
Enfim surge um precipício,
Lá o touro vai se jogar;
Caem lá embaixo já mortos,
O touro e o jaguar.
*J.L.BORGES
Camaquã.1977.
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