ASPIRAÇÕES.
Sou um triste marujo,
Sem barco, sem mar;
Sou um seresteiro,
Sem violão pra tocar.
Sou um solitario poeta,
Sem inspiração;
Sou a tímida luz,
Sufocada pela escuridão.
Sou um errante profeta,
Que perdeu sua profecia;
Sou um vaga-lume,
Perdido no longo do dia.
Sou a vela que apaga,
Sufocada pelo luz do saber;
Estou numa encruzilhada,
Sem nada fazer.
Do ponto triste sou algo,
Que jamais pensei, nem queria;
Procuro minha lenta paz,
Nesta minha vida vazia.
*J.LBORGES
Camaquã.1977
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