sábado, 14 de julho de 2018

EXPERIENCIAS

“EXPERIENCIAS”

Não sei quando irei, nem sei pra onde ,

Sonhar? Sofrer? Sorrir? Ou morrer longe?

Deste experimento tornei-me escravo,

Estou infectado e mal aguento.

As chagas que envolvem minha consciência,

São cruzes na jornada eu bem sei,

São sementes de fracassos que eu plantei,

Pois desta odisseia sou experiência.

Alcanças as tuas mãos, mãos de serpente,

Na fútil ilusão que em vão me iludo;

Me sinto tão cansado, um ser mudo,

Tentando em vão sair destas correntes.

Sou rato acorrentado, útil cobaia,

Roendo-me aos pouquinhos e revivendo;

Uma vida de experiência e de mortalha,

A onde os dias passam, meu eu morrendo.

Eu ando tão cansado, quero voltar,

Voar com este passado aqui comigo;

Sem tempo de experiência, só de sonhar,

E soltar estas algemas do eu cativo.

Novamente da-me as mãos, mãos de algemas,

Sutil na ilusão que me oferece;

Sem tempo de promessas e sem as preces,

Pra que chorar, orar ? mal vale a pena.

Não sei quando vou ir, depois voltar,

Não sei pra onde ir e conhecer;

Um mundo de verdade e encontrar,

Na fragrância da existência o renascer.

*J.L.BORGES

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