domingo, 3 de junho de 2018

VIDA E MORTE DO GRAVATAÍ

VIDA E MORTE DO GRAVATAÍ

Era um rio manso e ameno,

Com areis brancas adormecidas;

Com índios nus e as canoas,

Flutuando em lenta preguiça.

Era um rio menino arteiro,

Por entre arbustos e matas;

Orquestras de um tempo virgem,

Com rouxinóis e macacos.

Era um rio meio maluco,

Arisco na tempestade;

A onde as águas da chuva,

Caiam como benção mística.

Era um rio de águas claras,

Nas manhãs de primavera;

Onde o índio sem receio,

Sorvia nas mãos sem calos.

Ele agora não é mais manso,

Suas areis são cor chumbo;

Com uma multidão de infelizes,

Em barcas ferindo o rio.

Não é mais menino arteiro,

E sim um velho careca;

Sem matas e sem rouxinol,

Sua orquestra é o rugir das maquinas.

Não é mais um rio maluco,

É um rio débil mental

Com medo de tempestades,

Chuva acido letal.

É um rio de águas fedidas,

Nas tardes de primavera;

Onde o indigente sem futuro,

Defeca sua esperança.

*J.L.BORGES

-Em homenagem póstumas a todos os rios da terra

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