O SAPO CARECA
O sapo careca resolveu ir pra cidade.
Achava tudo monótono no brejo.
Conversou com os amiguinhos, a dona aranha, o seu lagarto, com a namorada, a sapinha perereca que, já chorava a ausência do namorado e, com a sapinha princesa, amiga e confidente de sua namorada.
Tentaram convence-lo desta idéia maluca, mas de nada adiantou, ele resoluto firmou sua decisão aventureira de sair do brejo e ir para a cidade.
Seus amigos resolveram pedir para o saci e para a fada madrinha aconselharem o teimoso a mudar de decisão, porem não adiantou e, entre lagrimas viram quando ele subiu sorrateiramente na canoa do pescador José e, de mala e cuia sumiu na curva do rio, rumo ao desconhecido.
O pescador atracou seu barco no cais e ele ligeiro desceu aos pulos, sua malinha cheia de lembranças grudada em seu corpo escorregadio.
s do ancoradouro e entra na avenida, que surpresa! Olha os arranha-céus, bem mais alto que as arvores lá do bosque, onde ele costumava passar as tardinhas de namoro com a sapinha perereca.
Ouve atordoado o ruído ensurdecedor dos automóveis(bicho estranho que ele poucas vezes viu lá no seu lugarejo, mas que agora tinha aos montão na cidade), veículos estes em seu incansável vai e vem pela avenida.
Vê o movimento incessante das pessoas frenéticas pelas calçadas nuas e escassas de arvores e flores.
Seus olhinhos ofuscam-se com a confusão de luzes e cores que o deixam atordoado.
Treme de medo e duvidas.
Olha ao redor, cadê as estrelas?
O céu está cinzento, parece chuva, parece nuvens, ou talvez poeira. Mas poeira de que? Ele só vê concreto naquele lugar esquisito.
Olha novamente, cadê a lua prateada que todas as madrugadas olhava para ele?
Cadê as arvores? Cadê os passarinhos? Cadê o brejo encantado que ele sonhava encontrar na tal de cidade?
Olha para o chão.
Ih!
Cadê a sua malinha?
Coitadinho do sapo careca, confuso e pateta, na cidade grande.
*J.L.BORGES
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