terça-feira, 22 de maio de 2018

O SAPO CARECA.

O SAPO CARECA

O sapo careca resolveu ir pra cidade.


Achava tudo monótono no brejo.


Conversou com os amiguinhos, a dona aranha, o seu lagarto, com a namorada, a sapinha perereca que, já chorava a ausência do namorado e, com a sapinha princesa, amiga e confidente de sua namorada.


Tentaram convence-lo desta idéia maluca, mas de nada adiantou, ele resoluto firmou sua decisão aventureira de sair do brejo e ir para a cidade.


Seus amigos resolveram pedir para o saci e para a fada madrinha aconselharem o teimoso a mudar de decisão, porem não adiantou e, entre lagrimas viram quando ele subiu sorrateiramente na canoa do pescador José e, de mala e cuia sumiu na curva do rio, rumo ao desconhecido.


O pescador atracou seu barco no cais e ele ligeiro desceu aos pulos, sua malinha cheia de lembranças grudada em seu corpo escorregadio.


s do ancoradouro e entra na avenida, que surpresa! Olha os arranha-céus, bem mais alto que as arvores lá do bosque, onde ele costumava passar as tardinhas de namoro com a sapinha perereca.


Ouve atordoado o ruído ensurdecedor dos automóveis(bicho estranho que ele poucas vezes viu lá no seu lugarejo, mas que agora tinha aos montão na cidade), veículos estes em seu incansável vai e vem pela avenida.


Vê o movimento incessante das pessoas frenéticas pelas calçadas nuas e escassas de arvores e flores.


Seus olhinhos ofuscam-se com a confusão de luzes e cores que o deixam atordoado.


Treme de medo e duvidas.


Olha ao redor, cadê as estrelas?


O céu está cinzento, parece chuva, parece nuvens, ou talvez poeira. Mas poeira de que? Ele só vê concreto naquele lugar esquisito.


Olha novamente, cadê a lua prateada que todas as madrugadas olhava para ele?


Cadê as arvores? Cadê os passarinhos? Cadê o brejo encantado que ele sonhava encontrar na tal de cidade?


Olha para o chão.


Ih!


Cadê a sua malinha?


Coitadinho do sapo careca, confuso e pateta, na cidade grande.


                                                                  *J.L.BORGES

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