INVERNO DOS VIAJANTES
Este frio que bate a minha porta,
Do sem camisa, do pé no chão;
São águas, magoas e a solidão,
Nesta cidade que não conforta.
O vento arde, invade a alma,
Destas crianças que por ai;
Sem esperança, sem paz nem calma,
Sofrem as dores que já sofri.
A chuva vem, afoga o peito,
No desafogo do cotidiano;
Sem teto e abrigo, longe do ninho,
Alma castrada e imperfeita.
O inverno vem, o inverno vai,
Tantas promessas jamais cumpridas;
E a dura lida ferindo a vida,
Num cotidiano que não mais sai.
Assim vai indo o viajante,
Nesta estrada que chamo pátria;
Minha terra amada, mãe idolatra,
Que fere a nós a todo o instante.
*J.L.BORGES
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