sexta-feira, 2 de março de 2018

INVERNO DOS VIAJANTES

INVERNO DOS VIAJANTES

Este frio que bate a minha porta,

Do sem camisa, do pé no chão;

São águas, magoas e a solidão,

Nesta cidade que não conforta.

O vento arde, invade a alma,

Destas crianças que por ai;

Sem esperança, sem paz nem calma,

Sofrem as dores que já sofri.

A chuva vem, afoga o peito,

No desafogo do cotidiano;

Sem teto e abrigo, longe do ninho,

Alma castrada e imperfeita.

O inverno vem, o inverno vai,

Tantas promessas jamais cumpridas;

E a dura lida ferindo a vida,

Num cotidiano que não mais sai.

Assim vai indo o viajante,

Nesta estrada que chamo pátria;

Minha terra amada, mãe idolatra,

Que fere a nós a todo o instante.

*J.L.BORGES

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