A MORTE
Dos braços dela ninguém escapa,
Dos braços dela ninguém se esquiva;
Vem sorrateira nas madrugadas,
Em noites altas ou em dias longos;
Vem bem humilde, as vezes altiva.
Chega em palácios ou em casebres,
Não diz a hora que irá chegar;
Beija a pessoa não importa a classe,
Nem a cultura que ela tem;
Depois se some, mas vai voltar.
De braços dados vamos com ela,
Por caminhos que desconheço,
Não falamos nada, nem ela fala;
E sem termos medo largamos tudo,
E ela nos leva, não cobra preço.
Sinto seu cheiro em mil lugares,
Em mil caminhos que ando agora;
Seu vulto tênue espreita alguém,
É sorrateira,
Não vai embora.
*J.L.BORGES
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