BANDA PODRE DA MAÇÃ
Sou a banda podre da maçã,
Sou a parte podre desta sociedade;
Busco terra e encontro feras,
Que devoram-me aos pouquinhos.
Semeio lavouras e minha colheita e espinho,
Nada ganho, nem mesmo promessas;
Que outrora eles faziam,
Sou a banda podre da tua maçã.
Minha mesa é vazia,
Minha noite é uma insônia só;
Que será de mim,
De meus filhos e esposa?
Sou a banda podre da tua maçã,
Me corta e joga fora;
Pois sou a parte podre,
Da tua mesa nobre, nem tenho amanhã.
*J.L.BORGES
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