SOL DA MEIA NOITE
Os bois famintos olham para o chão,
Os homens famintos olham os bois;
Enquanto a nuvem refugiou-se,
Alem do morro careca.
Os ratos iniciam a fuga,
Enquanto a casa velha estática;
Olha piedosa para o sol,
Que teima em não adormecer.
Bugios entoam canções,
Corujas entoam canções;
Chora tristemente a gaita,
Geme tristemente o violão.
Mas não basta a fé doentia,
Não basta a espera preguiçosa;
Não basta a fuga, o abandono,
É preciso trabalhar.
Pois a terra é fértil e a semente,
Germinará na primeira chuva;
O homem não vive só de sonhos solitários,
É preciso sonharmos juntos.
*J.L.BORGES
1989
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