terça-feira, 2 de janeiro de 2018

SOL DA MEIA NOITE

SOL DA MEIA NOITE

Os bois famintos olham para o chão,

Os homens famintos olham os bois;

Enquanto a nuvem refugiou-se,

Alem do morro careca.

Os ratos iniciam a fuga,

Enquanto a casa velha estática;

Olha piedosa para o sol,

Que teima em não adormecer.

Bugios entoam canções,

Corujas entoam canções;

Chora tristemente a gaita,

Geme tristemente o violão.

Mas não basta a fé doentia,

Não basta a espera preguiçosa;

Não basta a fuga, o abandono,

É preciso trabalhar.

Pois a terra é fértil e a semente,

Germinará na primeira chuva;

O homem não vive só de sonhos solitários,

É preciso sonharmos juntos.

*J.L.BORGES
1989

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