quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

PERFUMES DE OURO

PERFUMES DE OURO

Não sei se reclamo a falta da alguém,

Ou se agradeço a Deus o amor maculado;

Eu só sei que o presente é um sonho,

Eu só sei que é um sonho o passado.

Tudo some com a chuva do tempo,

Até o pó da esperança sumiu;

Minha vida perdeu o ar da graça,

Quando o amor inocente partiu.

Não sei se choro pelo inverno que chegou,

Ou se agradeço a Deus pela primavera vindoura;

O riso macio da criança que passa,

Envolveu tantas praças com perfumes de ouro.

São tempos que chegam e depois dão adeus,

Partem e não olham jamais para traz;

São tão informais os crentes e ateus,

Transformados em poeira do destino em portais.

Então fico sozinho outra vez a teu lado,

Te falando baixinho palavras banais;

Renegando o futuro e pensando em passado,

Que partiram, e distantes não voltam jamais.

*J.L.BORGES

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