O VERÃO DE NOSSA DESESPERANÇA
O trem parou na estação,
Verão escaldante no meu coração,
Mais um passageiro que sobe no trem,
Trazendo na mão uma rosa escarlate,
Trazendo o sorriso estampado na face,
Esperança imutável na paz de alguém.
Seguem o trem... Segue o trem... Segue o trem...
Seu apito sonoro rasga as montanhas,
Rumo ao céu e ao sol de alguém,
Um ser feliz na alegria estranha;
E o eco repete o apito do trem,
Repete o presente que chega também.
E o dia começa na estação janeiro,
Mil janeiros passaram, e a esperança não passa,
Tão teimosa e jovem, e a esperança bonita;
É o reflexo de luz a verter da vidraça,
Do trem, segue o trem, e o meu peito palpita,
Recebendo os reflexos da esperança bendita.
Eu recebo os reflexos pois sou passageiro,
Não desci deste trem, e sigo a viagem,
Até onde eu não sei, só sei que eu sigo,
E o trem segue em frente,
Seu apito é a mensagem,
Da minha presença constante nesta minha viagem.
*J.L.BORGES
1989
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