terça-feira, 2 de janeiro de 2018

O VERÃO DE NOSSA DESESPERANÇA

O VERÃO DE NOSSA DESESPERANÇA

O trem parou na estação,

Verão escaldante no meu coração,

Mais um passageiro que sobe no trem,

Trazendo na mão uma rosa escarlate,

Trazendo o sorriso estampado na face,

Esperança imutável na paz de alguém.

Seguem o trem... Segue o trem... Segue o trem...

Seu apito sonoro rasga as montanhas,

Rumo ao céu e ao sol de alguém,

Um ser feliz na alegria estranha;

E o eco repete o apito do trem,

Repete o presente que chega também.

E o dia começa na estação janeiro,

Mil janeiros passaram, e a esperança não passa,

Tão teimosa e jovem, e a esperança bonita;

É o reflexo de luz a verter da vidraça,

Do trem, segue o trem, e o meu peito palpita,

Recebendo os reflexos da esperança bendita.

Eu recebo os reflexos pois sou passageiro,

Não desci deste trem, e sigo a viagem,

Até onde eu não sei, só sei que eu sigo,

E o trem segue em frente,

Seu apito é a mensagem,

Da minha presença constante nesta minha viagem.

  *J.L.BORGES
1989

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