DEMÔNIO NOTURNO
No fundo da alma,
No fundo do peito;
Me destes tua calma,
Teu sacrifício.
És calma em teu vicio,
O amor vagabundo;
Girando num mundo,
A vadiar.
Teu corpo é conforto,
Meu corpo é teu porto;
Tu és meu navio,
Vem navegar.
Depois desta tarde,
Lá longe o farol;
É luz que em ti arde
O meu sol.
Fecho os meus olhos
E enfim vem a noite;
Teus beijos açoites,
Neste lençol.
Sou ave diurna,
A espera da luz;
Pregado em teu corpo,
A minha cruz.
Jamais te reclamo,
Mulher, eu te amo;
Pois és minha deusa,
Meu diabo noturno.
*J.L.BORGES
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