segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

NO SILENCIO DA NOITE

NO SILENCIO DA NOITE

No silencio da noite,

Todas as luas são iguais;

Todas as ruas são escuras,

Todas as procuras são banais.

No silencio da noite,

As estrelas sussurram uma canção;

Que explodem dentro de meu peito,

Na boca desta multidão.

No silencio da noite,

A miragem de uma estrela me tonteia;

Cadente imagem de uma luz que vem do céu,

Seu sorriso, seu olhar que em mim passeia.

No silencio da noite,

Esta solidão é uma paz tamanha;

Uma montanha, um abismo, um labirinto,

A complexa ilusão me é tão estranha.

No silencio da noite,

Sinto a falta de seus beijos, seus carinhos;

Na solidão eterna desta noite,

O sono não vem, e eu caminho.

 *J.L.BORGES
1986

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