quinta-feira, 2 de novembro de 2017

TRANSFORMAÇÕES

TRANSFORMAÇÕES

Aspiro o ar de uma tarde,

Que sinto, está indo embora;

Meu coração solitário arde,

Mas nada posso fazer nesta hora.

Então fico olhando a lua,

Com seu Jorge e seu dragão;

Imagino você toda nua,

Dentro do meu coração.

Quero voar, mas não consigo,

Minhas asas foram cortadas;

Então aspiro este ar amigo,

E fico a sonhar com a amada.

Mulher que está longe,

Mulher que a tempos beijei;

Mulher que hoje se esconde,

Nos sonhos que não sonhei.

Tomara que meu amanhã chegue bem cedo,

Chegue sem receio nesta tenra terra;

Invada este meu coração sem medo,

Trazendo a doce primavera.

Pois eu necessito do perfume das flores,

Para suavizar minha estrada;

Necessito de colares e cores,

Para transformar em concreto este meu nada.

   *J.L.BORGES

Camaquã.1984

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