A PORTA DO INFINITO
Eles não tem piedade dos pobres,
Cheiram a ouro e a dinheiro;
Pensam ter uma vida nobre,
Estão perdidos no atoleiro.
Oprimem o povo sofrido,
Financiam até frágil alegria;
Tornam o amor sem cor, denegrido,
No destempero do dia a dia.
Colhem lucros, semeando desgraças,
Transformando a esperança na estampa de uma dor;
Destroem a vida do individuo por pirraça,
Transformando uma vida, numa lida sem calor.
Riem da pobreza, escarrando na cara do oprimido,
Mas no fundo é eles que são pobres de espírito;
E na eternidade serão esquecidos,
Sem ao menos olharem as portas do infinito.
*J.L.BORGES
Porto Alegre.1984
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