TERRA DO ESQUECIMENTO
Terra do esquecimento,
Da dor, do triste tormento;
Terra amarga como o fel,
Onde corre o falso mel.
Terra da negridão,
Do povo, da multidão;
Terra da escuridade,
Onde não existe bondade.
Terra do frio gotejar,
Da chuva fina a molhar;
Terra da bruma escura,
Onde não tem amor, só procura.
Terra da maldição,
Que ataca meu coração;
Onde a luz é tenebrosa,
Onde a mentira é vitoriosa.
Nesta terra nem as estrelas,
No céu conseguem brilhar;
Este som que ouço ao longe,
É de alguém a chorar.
O melancólico soprar dos ventos,
Deixa negro meus pensamentos;
Deixa triste a minha alma,
Que outrora era tão calma.
Nos rios que banham esta terra,
Suas águas são lama escuras;
No sorriso das crianças,
Já não se encontra candura.
De noite na rua escura,
Perambula o próprio zumbi;
Este ar me deixa tonto,
Que de tudo quase esqueci.
Me perdi nestas favelas,
Mas consegui me encontrar;
Estou fugindo daqui,
Para nunca mais voltar.
Nesta terra do esquecimento,
Eu antes vivia perambulando;
Mas voltei a realidade,
Para meu lugar estou voltando.
*J.L.BORGES
Camaquã.1978
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