sexta-feira, 27 de outubro de 2017

CAIU O PANO

CAIU O PANO

As falsas luzes da cidade,
Não me pertencem jamais,
Tanto luxo e fúteis propagandas,
E aqui fora milhões morrendo de fome.

Acordei e vi como é amarga a realidade,
Ilusões e promessas mentirosas;
Eu tenho que fazer alguma coisa,
Todos nós temos que fazer algo.

O mundo está abrindo a nossos pés,
Sugerindo que nos joguemos para dentro do buraco,
Alguém visa lucrar com nossa destruição,
Alguém apostou na nossa ruína.

Eu preciso fazer algo,
Eu tenho que desviar o curso deste rio,
Sedento de sangue e destruição,
Sedento de mim e de você.

Cansei de ver inocentes chorando em cada esquina,
Implorando para viver,
Até parece que devem a vida para alguém,
Devem a vida parta o dragão que os devora.

E o dragão está lá,
Lá em cima nos espreitando,
Nos sufocando e nos amassando,
Tornando nossos corpos prisioneiros do seu jugo.

Puxa vida! Será que não existe a tal liberdade?
Aquela liberdade que eu li em velhos livros,
Escritos por alguém e ditados por eles;
Eles querem nos tornar autômatos.

Mas eu acordei, você está acordando,
E eu tenho certeza e juro por meus filhos,
O dragão irá tremer quando o Brasil acordar.

*J.L.BORGES
Porto Alegre.1983

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