QUEM SOU
Sou uma caixinha,
Do bom parecer;
Que nenhum carpinteiro,
E capaz de fazer.
Sou tão alto,
E tão baixo também;
Sou tão sombrio,
A teu lado meu bem.
Sou bom ou sou ruim
Não sei explicar;
No mar, lago ou rio,
Adoro nadar
Alguns dias sou otimista,
Mas não sei me entender;
As vezes pessimista,
Eu quero morrer.
Sou tão tímido,
Não sei como amar
A garota me olha,
Não sei lhe encarar.
Sou gordo, sou magro,
Sou triste, tão triste;
Mas sei que em meu peito,
Algo bom ainda existe.
As vezes me olho,
Nas noites, nos dias;
E atônito procuro,
A tênue alegria.
As vezes deitado,
Me ponho a sonhar;
São sonhos tão lindos,
Não quero acordar.
Talvez eu seja tolo,
Não saiba viver;
Sou forte, sou fraco,
Meu ego é você.
Talvez eu até seja,
Alguém que não nasceu
Ou então talvez seja,
Algum que não viveu.
*J.L.BORGES
Camaquã.1977
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