sexta-feira, 22 de setembro de 2017

NOITE DE PESCARIA


NOITE DE PESCARIA

Num sábado a tarde,
A rotina resolvi mudar;
Fui com dois camaradas,
A um riacho pescar.

Quatro carteiras de cigarros,
Nos resolvemos comprar;
Para na pescaria,
Com calma a gente fumar.

Compramos carne e verduras,
Também pepsi e minuano;
Amarramos bem juntinho,
E a enrolamos em um pano.

Eu ia me esquecendo,
Oito ovos cozinhei;
E em busca destas bebidas,
Ao mercado rumei.

Lá nos compramos,
Vermute e também pão;
A caminhar pela estrada,
Cantávamos uma canção.

Eu cheguei lá no riacho,
Com dez minutos na frente;
Quando olho para traz,
Chegam eles derepente.

As margens nos instalamos,
Na ponte do Butiá;
Tinha campo, tinha mato,
Tinha lebre e preá.

E eu tão satisfeito,
Preparei grande fogueira;
A procura de madeira,
Fiquei uma hora inteira.

Mas tivemos grande azar,
Só um peixe meu camarada pegou;
E eu só de bravo assei,
O peixe que ele fisgou.

Já ia me esquecendo,
Misteriosamente fomos roubados;
Roubaram toda a carne,
Churrasco que estava assado.

Fiquei muito revoltado,
E meu revolve saquei;
E na ponte do Butiá,
Oito tiros ao alto dei.

Comemos os ovos que restaram,
As bebidas e o pão;
O vermute e o conhaque,
Foram uma bomba, um canhão.

A janta não estava ruim,
Nem aquele peixe assado;
Mas o azar era tanto,
Que o peixe estava salgado.

Em baixo da ponte dormimos,
Descansamos da folia;
Foi uma noite sem igual,
Esta noite de pescaria.

A noite estava tão calma,
Estava suave o riacho;
Nossos rostos estavam alegres,
Mas denotavam cansaço.

Quando resolvemos voltar,
Eram duas da madrugada;
Caímos, andamos, dormimos,
Ao longo da grande estrada.

Eu tinha um belo punhal,
Mas no caminho perdi;
Foi tão imensa a raiva,
Que neste peito senti.

Mas o azar não terminou,
Pois os cigarros que compramos;
Perdemos pelo caminho,
Nem a metade fumamos.

Ao chegarmos em casa,
O galo estava a cantar;
Pescaria fascinante e azarada,
Dela sempre vou lembrar.

E para sempre me recordar,
Este poema resolvi fazer;
Noite de pescaria,
Que eu jamais irei esquecer.

 *J.L.BORGES
Camaquã.1977


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