NOITE DE PESCARIA
Num sábado a tarde,
A rotina resolvi mudar;
Fui com dois camaradas,
A um riacho pescar.
Quatro carteiras de cigarros,
Nos resolvemos comprar;
Para na pescaria,
Com calma a gente fumar.
Compramos carne e verduras,
Também pepsi e minuano;
Amarramos bem juntinho,
E a enrolamos em um pano.
Eu ia me esquecendo,
Oito ovos cozinhei;
E em busca destas bebidas,
Ao mercado rumei.
Lá nos compramos,
Vermute e também pão;
A caminhar pela estrada,
Cantávamos uma canção.
Eu cheguei lá no riacho,
Com dez minutos na frente;
Quando olho para traz,
Chegam eles derepente.
As margens nos instalamos,
Na ponte do Butiá;
Tinha campo, tinha mato,
Tinha lebre e preá.
E eu tão satisfeito,
Preparei grande fogueira;
A procura de madeira,
Fiquei uma hora inteira.
Mas tivemos grande azar,
Só um peixe meu camarada pegou;
E eu só de bravo assei,
O peixe que ele fisgou.
Já ia me esquecendo,
Misteriosamente fomos roubados;
Roubaram toda a carne,
Churrasco que estava assado.
Fiquei muito revoltado,
E meu revolve saquei;
E na ponte do Butiá,
Oito tiros ao alto dei.
Comemos os ovos que restaram,
As bebidas e o pão;
O vermute e o conhaque,
Foram uma bomba, um canhão.
A janta não estava ruim,
Nem aquele peixe assado;
Mas o azar era tanto,
Que o peixe estava salgado.
Em baixo da ponte dormimos,
Descansamos da folia;
Foi uma noite sem igual,
Esta noite de pescaria.
A noite estava tão calma,
Estava suave o riacho;
Nossos rostos estavam alegres,
Mas denotavam cansaço.
Quando resolvemos voltar,
Eram duas da madrugada;
Caímos, andamos, dormimos,
Ao longo da grande estrada.
Eu tinha um belo punhal,
Mas no caminho perdi;
Foi tão imensa a raiva,
Que neste peito senti.
Mas o azar não terminou,
Pois os cigarros que compramos;
Perdemos pelo caminho,
Nem a metade fumamos.
Ao chegarmos em casa,
O galo estava a cantar;
Pescaria fascinante e azarada,
Dela sempre vou lembrar.
E para sempre me recordar,
Este poema resolvi fazer;
Noite de pescaria,
Que eu jamais irei esquecer.
*J.L.BORGES
Camaquã.1977
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