CHEIRO DE TERRA
Sinto o cheiro do arvoredo,
Sinto o cheiro desta terra,
Cheiro de meus arrozais.
Vem a noite e seus segredos,
O sossego dos trigais.
Sinto o cheiro deste mato verdejante,
Desta jovem primavera a espiar,
Aquela moça elegante;
Sinto o cheiro dos pomares,
Os instantes nos pombais.
Este cheiro da mata virgem,
Dos pomares, e seus pardais,
A noite e seus velhos medos;
O luar eletrizante,
Na sua brancura de paz.
Ouço a musica ventania,
A sussurrar versos de amor,
No reverso vendaval;
A geada madrugada em manhãs frias,
Colorido e perfumando o matagal.
Sinto cheiro da amada que me espera,
Depois de um dia de sol na lida,
Sinto cheiro desta terra tão querida;
Cheiro desta terra tão querida,
A minha casa perfumada de jasmim.
*J.L.BORGES
GUAÍBA, 2000
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